PANTANAL

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Tuiuiú, ave símbolo do Pantanal (Página 6)

O tuiuiú é considerado ave símbolo do Pantanal, e quem visita esse bioma provavelmente terá a chance de avistar essa ave em seu hábitat. Seu nome científico é Jabiru mycteria, e por isso ele também é conhecido popularmente como jabiru, além de ser chamado de inúmeros outros nomes, como tuim-de-papo-vermelho, jaburu e cauauá.

Você pode aproveitar a conversa sobre o nome popular do tuiuiú para falar com sua turma sobre a importância dos nomes científicos. No estado do Amazonas, que não é região de Pantanal, mas onde o tuiuiú também ocorre, essa ave é conhecida como cauauá; no Sul do Brasil, o tuiuiú é conhecido principalmente como jabiru, e o nome tuiuiú é usado para se referir a outra ave parecida com ele, o cabeça-seca (Mycteria americana), mostrado na fotografia da página 21. Assim, fica fácil de entender porque os nomes científicos são tão importantes: eles são a identidade do ser vivo (planta, animal, fungo, etc.). Enquanto o nome científico é exclusivo (cada ser vivo possui apenas um nome científico), os nomes populares variam conforme a região, e por isso a identificação de um ser vivo a partir do nome popular não é precisa.

O tuiuiú pode atingir 1,60 metros de altura e apresentar 2,80 metros de envergadura (a envergadura é a medida de uma ponta da asa aberta até a ponta da outra asa). Ele pode voar até centenas de quilômetros e é uma ave migratória. No período em que as lagoas estão baixas e formam-se pequenas poças, o tuiuiú pesca facilmente os peixes e também caramujos aquáticos, além de às vezes comer insetos, lagartos, serpentes e pequenos mamíferos.

Os ninhos dos tuiuiús são estruturas grandes e podem ser construídos a diferentes alturas do solo, conforme a vegetação do local. Em geral, ficam a cerca de 10 metros do solo, mas podem ser construídos mais baixo (4 metros, por exemplo) ou mais alto (25 metros). São feitos de galhos e, na parte interna, forrados com capim e plantas aquáticas. As fêmeas normalmente põem 4 ovos que são chocados por 60 dias.

Além de conversar com os alunos sobre as características da ave, você pode pedir a eles que interpretem o texto que diz que o tuiuiú tem “título nobre”, um título que é “um bocado importante”. Você pode orientar os alunos a consultar o dicionário para verificar a definição das palavras “nobre” ou “nobreza”. Conforme a faixa etária de seus alunos e dos assuntos estudados na disciplina de História, você pode explorar o tema falando, por exemplo, sobre a nobreza da Idade Média ou sobre os títulos de nobreza distribuídos no Brasil colonial. Quem tem título nobre pertence à nobreza, sendo considerada uma pessoa diferenciada, importante, que tem prestígio social. E por que a autora considerou que o tuiuiú tem “título nobre”? Peça aos alunos que expliquem essa comparação. O tuiuiú é uma ave que se destaca entre os outros animais e ganhou o título de animal símbolo do Pantanal, por isso a brincadeira com o fato de ele ter um título nobre.

 

O regime das águas no Pantanal (Páginas 8-13 e 22-27)

O pantanal é uma planície alagável, o que significa que sua área é plana e sujeita a inundações. Em sua maior parte, o relevo é uniforme, com baixíssima declividade e altitudes aproximadas de 80 a 150 metros. Há quem compare o Pantanal a uma mesa, de tão plano que é. No entanto, esse bioma apresenta picos com mais de mil metros de altura, que correspondem à parte mais alta do Pantanal.

A água modifica a paisagem e o ritmo dos acontecimentos. A cada ano o Pantanal está sujeito ao regime de cheia, quando a planície se inunda, e ao período da seca. No período das chuvas, o nível dos rios vai subindo lentamente e a água se espalha, inundando a planície. Como o relevo é plano, a velocidade das águas é lenta.

Na cheia, os rios transbordam e ocupam a planície, a vegetação aquática fica exuberante, o transporte é feito de barco ou de avião, o gado precisa ser transportado para as áreas secas, o que pode ser feito por terra ou por barco. As ilhas flutuantes de vegetação, chamadas de camalotes, são transportadas pelas águas do rio. Nas áreas mais altas, onde se desenvolvem matas com árvores, a água nunca chega, mesmo na cheia.

Na seca, secam as lagoas e os rios ficam mais baixos. As aves aproveitam as pequenas poças rasas formadas para capturar peixes. O transporte é feito de trator, de carro, a cavalo. As árvores perdem as folhas na seca e muitas delas ficam floridas; as gramíneas, como o capim, torna-se abundante nos campos, constituindo áreas propícias para o pastoreio do gado. Conforme a intensidade da seca, pode faltar água nas fazendas e a construção de poços é uma maneira de tentar contornar esse problema.

Você pode conversar com os alunos sobre as mudanças a que o Pantanal está sujeito em função da cheia e da seca. Após a leitura do texto, você pode pedir que eles representem a paisagem do Pantanal nesses dois períodos. Espera-se que a vegetação, o nível da água dos rios e as atividades realizadas sejam diferentes em cada representação.

 

Vista aérea do Pantanal na estação seca (Páginas 10 e 11)

Os alunos estão mais acostumados a fazer desenhos de paisagens observadas no nível do solo. Na página 11 do livro há uma foto aérea do Pantanal na seca. Verifique se os alunos compreendem a diferença entre a visão dessa foto aérea e a visão, por exemplo, da foto da página 7, de uma paisagem vista do solo.  A foto aérea é tirada de cima, o fotógrafo normalmente está em um avião, helicóptero, balão. Na foto aérea é possível ter uma vista ampla da cena. Peça a eles que imaginem como seria a paisagem da foto da página 11 no período da cheia. Eles podem dizer, por exemplo, que a maior parte da planície estaria coberta de água, que a copa das árvores ainda permaneceria visível (fora da água) e que haveria barcos navegando nas águas do rio. Peça a eles que representem essa paisagem, mas ressalte que eles devem fazer um desenho representando uma visão aérea.

 

 Abundância de aves

O texto de Apresentação do livro revela que a diversidade da fauna pantaneira é surpreendente e que esse bioma abriga cerca de 460 espécies de aves. No livro, estão representadas as seguintes aves: tuiuiú (p. 6), tucano-toco (p. 14), arara-azul (p. 16), maria-faceira (p. 21), garça-moura (p. 31), coruja-buraqueira (p. 32), arara-canindé (p. 36).

Você pode pedir aos alunos que façam uma pesquisa de imagens das aves mostradas no livro, incluindo também as que são mencionadas no texto, como o aranquã, o tachã e a maria-faceira (todos citados na página 14). A busca pode ser feita na internet ou em livros sobre animais e aves.

 

Por conta de sua localização geográfica, o Pantanal faz parte da rota migratória de diversas aves, que fazem uma pausa em seu trajeto.  Por isso, o Pantanal é considerado um dos melhores lugares para observação de aves no Brasil.

Um trabalho muito interessante que pode ser realizado com sua turma é de audição de sons de aves. Se a região em que sua escola está permite, leve os alunos para fora da sala de aula, de preferência para um parque ou praça, e peça a eles que escutem o canto das aves. Conforme o conhecimento deles e o seu repertório, vocês conseguirão identificar alguns cantos. Outra possibilidade também interessante é trabalhar com o som de aves do Pantanal usando as gravações disponíveis no site Wikiaves. Primeiro é preciso pesquisar em “Sons”, depois em “Espécie”, em seguida é preciso escrever o nome popular da ave (por exemplo, maria-faceira). Irão aparecer várias opções de gravação, e é preciso procurar uma cujo áudio tenha boa qualidade. Essas gravações podem ser baixadas e reproduzidas a partir de um computador, mesmo que este não tenha acesso à internet.

O Guia da Aves do Pantanal, do SESC Pantanal, também pode ser uma bom material de consulta para trabalhar o tema. Ele está disponível no endereço: <http://www.avespantanal.com.br/paginas/index.htm&gt;.

 

Diversidade de animais

O livro apresenta uma variedade de animais do Pantanal. Uma atividade que pode ser realizada com os alunos consiste em pedir a eles que identifiquem no texto, nas ilustrações e nas fotos os diferentes animais mencionados, e depois produzam fichas com as características desses animais. Algumas informações eles irão encontrar na própria narrativa de Nina no Pantanal; outras, terão que buscar em outros livros, na internet, etc.

 

As palmeiras do Pantanal

No Pantanal encontramos muitas palmeiras: carandá, acuri, bocaiúva, babaçu, buriti são algumas delas. Elas são fonte de alimento – costumam ter palmitos e frutos comestíveis – e têm outras utilidades para os seres humanos. Os coquinhos (o fruto), por exemplo, são usados pelas crianças em uma brincadeira parecida com a das bolas de gude. A polpa do fruto do buriti, por exemplo, é usada para fazer doces. O caule da palmeira carandá é usado para construir currais e casas, já que esse material é considerado durável e resiste à água e aos cupins. Com as folhas da carandá se fabricam ótimos chapéus de palha, e seu cacho é usado como vassoura.

Duas palmeiras ganham destaque no livro, as palmeiras acuri e bocaiúva (Acrocomia aculeata) O acuri é uma palmeira de pequeno porte, com cerca de 2,5 metros de altura, enquanto a bocaiuva (ou macaúba) pode variar de 5 a 20 metros de altura. A bocaiuva tem um papel muito importante na preservação do solo da região pantaneira pois suas raízes são profundas e previnem a erosão. Na época da seca, suas folhas podem alimentar cavalos e bois. Seu caule é usado em construções rústicas. Já o fruto da bocaiuva é inteirinho aproveitado. Sua casca serve de ração animal. A polpa pode ser comida diretamente e, no Pantanal, o fruto da bocaiuva é chamado de “chiclete pantaneiro” e também de “chiclete de gado”, por ser mascado também pelas criações. A polpa também pode ser usada para fabricar farinha, utilizada em diversos pratos. Outras partes do fruto podem ser usadas como combustível ao serem queimadas e da semente pode ser extraído um óleo de ótima qualidade para consumo humano.

Você pode perguntar aos alunos se eles conhecem palmeiras, se já viram uma palmeira ao vivo, quais eram as características dessa planta, etc. Use a foto da página 17, da palmeira acuri, e as ilustrações das páginas 18 e 19 para conversar com os alunos sobre as partes de uma palmeira: o caule ereto, as folhas, os frutos em cachos, etc. Pergunte, por exemplo, se todas as palmeiras são do mesmo tamanho, se elas são parecidas, etc.

O palmito pupunha e a polpa de açaí são exemplos de alimentos consumidos em diversas regiões do Brasil e que são obtidos de palmeiras. Pergunte aos alunos se conhecem outros alimentos obtidos de palmeiras. Depois, pergunte se outras partes das palmeiras podem ter utilidade aos seres humanos. Compartilhe com eles algumas das informações sobre a utilidade das palmeiras: eles se surpreenderam com essas informações?

Procure levar para a classe fotos de diferentes palmeiras para os alunos observarem, de preferência com os frutos. Os alunos poderão fazer desenhos dessas palmeiras e produzir um texto coletivo contando o que aprenderam sobre esse tema.

 

A arara-azul e a arara-canindé e as palmeiras acuri e bocaiuva (Páginas 16-19 e 36)

A arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) tem um bico muito potente e alimenta-se praticamente só de sementes de palmeiras. Na região do Pantanal, alimenta-se de sementes das palmeiras acuri e bocaiuva. Com seu bico duro, quebra essas sementes e obtém as castanhas, que lhe servem de alimento.

As páginas 16 e 17 contam como as araras são “loucas” pelos frutos de acuri. Duas araras-azuis aparecem voando na página 16. Essa é a maior espécie de araras do mundo, chegando a 1 metro de comprimento (medida que vai da ponta do bico até a ponta da cauda). O corpo dela é quase inteiramente azul cobalto, e essa arara é diferente da arara-canindé (Ara ararauna), representada na página 36. Entre outras diferenças, a arara-canindé tem o dorso azul e o ventre amarelo, além de ser menor (cerca de 75 cm) e de ter uma dieta mais variada (come frutos e sementes, na sua maioria, de palmeiras).

Você pode pedir aos alunos que observem as ilustrações das duas araras e as comparem. Depois, mostre a eles fotos dessas duas aves – elas podem ser obtidas, por exemplo, no site Wikiaves e no site do Projeto Arara Azul. Pesquisem mais informações sobre essas aves, sobre os hábitos delas, onde ocorrem, etc.