CERRADO

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Cerradão e introdução ao bioma Cerrado (Páginas 6, 7 e 8)

No bioma Cerrado existem diversas fisionomias (denominadas “paisagens” no livro Nina no Cerrado), como o Cerradão, mostrado na foto da página 6. Ele parece uma floresta, com árvores próximas, relativamente altas em relação às árvores da fisionomia característica do Cerrado, o Cerrado sensu stricto, e com galhos e folhas formando um emaranhado de vegetação. Os versos da página 7 introduzem características do Cerradão: uma caminhada por esse local inclui desviar de galhos e troncos, estar relativamente protegido do sol, da chuva e do vento, e sentir-se em um ambiente mais abrigado, fechado.

Com os alunos mais novos você pode reproduzir as ações descritas na página 7. Peça a eles que experimentem manter os olhos abertos e observar o local em que estão, olhando para cima, para baixo, para um lado e para o outro. Enquanto faz a leitura desse trecho do texto, peça a eles que observem a sequência das ilustrações dos olhos e sigam essas etapas, fechando os olhos aos poucos, até que fiquem semi-cerrados.  Pergunte a eles o que mudou conforme eles foram fechando os olhos. Pergunte qual é o significado das palavras “aberto” e “fechado”.  E semi cerrado, o que significa? Se eles estiverem atentos aos versos e às ilustrações da página 7, talvez eles consigam deduzir o significado dessa palavra. Em seguida, peça que observem a foto do Cerradão, na página 6, e pergunte quais sensações eles acham que teriam se visitassem esse ambiente. Ele parece com algum lugar que eles já visitaram? Quais são as características desse local? Ele parece ser “aberto” ou “fechado”? Sigam para a página 8, cujos versos apresentam características do Cerradão (floresta densa, fechada, onde é preciso caminhar com calma pois a própria vegetação forma obstáculos). Pergunte aos alunos se eles conseguem encontrar nessa página palavras que remetam às características do Cerradão – explique o significado da palavra “denso”, provavelmente desconhecida por eles. Fica a seu critério sistematizar as características do Cerradão neste momento ou deixar para fazer isso após a leitura de outros trechos do livro, quando forem apresentadas outras fisionomias do Cerrado.

Os alunos mais maduros podem ser orientados a ler os versos e observar as ilustrações da página 7, observar a foto da página 6 e responder às perguntas: As características do Cerradão combinam mais com qual das três ilustrações dos olhos? Como parece ser a vegetação do Cerradão? Espera-se que eles notem que o Cerradão tem características de floresta fechada, protegida e, portanto, suas características remetem à ilustração dos olhos semi cerrados. Diga a eles que a leitura do livro proporciona uma visita virtual ao Cerrado e desperte a curiosidade para a leitura das próximas páginas: diga que eles poderão encontrar uma correspondência entre as figuras dos olhos da página 7 e as características dos diferentes locais de Cerrado, ou seja, paisagens mais abertas correspondem aos olhos abertos, enquanto paisagens mais fechadas correspondem aos olhos meio fechados ou semi cerrados. Desafie-os a estabelecer uma escala para caracterizar esses locais usando os desenhos dos olhos.

Peça que leiam a página 8 e encontrem palavras que remetam às características do Cerradão. Perguntem se já ouviram falar em Indiana Jones, um personagem de filmes de aventura representado pelo ator americano Harrison Ford. Caso conheçam, pergunte qual é o perfil desse personagem. Caso não conheçam, peça que lembrem-se de algum aventureiro conhecido (uma pessoa ou um personagem), descrevam suas características e imaginem por que elas seriam necessárias em um passeio pelo Cerrado.

 

Paisagens do Cerrado

Formas como o Cerradão, o Cerrado sensu stricto, o Campo sujo, o Campo limpo, as Veredas e os Campos Rupestres são chamadas fisionomias. No livro Nina no Cerrado, esse termo, considerado avançado para os leitores mirins, foi substituído por paisagens.

A fisionomia é determinada pela estrutura e pelo tipo de vegetação (árvore, arbusto, etc.) predominante em um ambiente, e por alterações pelas quais as plantas daquele local passam nas mudanças de estação (manutenção das folhas o ano inteiro, perda das folhas durante determinado período do ano).

No livro estão apresentadas as características de 6 paisagens (ou fisionomias):

→ Cerradão: é parecido com uma floresta, com árvores relativamente altas, ambiente sombreado.

→ Cerrado sensu stricto: denomina a forma típica de Cerrado, com árvores baixas e de galhos tortos, além de arbustos. A vegetação pode ser mais rala, com árvores espaçadas e poucos arbustos, ou mais densa.

→ Campo sujo: tem esse nome pois se parece com um campo, mas apresenta arbustos esparsos  e árvores pouco desenvolvidas de espécies que no Cerrado sensu stricto atingem tamanhos maiores.

→ Campo limpo: é um campo em que predominam as gramíneas, sem árvores.

→ Campo rupestre: tem uma estrutura parecida com o campo sujo e o campo limpo, mas ocorrem em solos rochosos, muitas vezes em relevos mais altos.

→ Vereda: vegetação que ocorre na beira de rios e se caracteriza pela presença do buriti, uma palmeira.

Árvores tortas (Página 14)

Uma característica marcante no bioma Cerrado é a forma tortuosa dos galhos das árvores: eles são retorcidos e crescem sem um padrão, espalhando-se para os lados. Algumas explicações foram elaboradas para justificar esse tipo de crescimento. Uma delas atribui ao excesso de alumínio a causa da tortuosidade da vegetação, pois ele torna o solo muito ácido e diminui a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Outra hipótese sugere que os incêndios no Cerrado determinam a forma da vegetação, pois o fogo mata as estruturas da planta que dão origem a novos galhos. Essas estruturas, originalmente posicionadas nas extremidades dos galhos, são substituídas por estruturas com papel semelhante, mas que acabam nascendo em outras regiões da planta.

A conversa sobre esse tema pode ter início com a leitura dos versos e a observação da ilustração da página 14. Explore as informações dos versos. Peça à turma que folheie o livro em busca de imagens que remetam a essa característica da vegetação, tanto em fotos quanto nas ilustrações. Essa referência está presente em diversos momentos, como, por exemplo, nas ilustrações das páginas 10 e 12. Pergunte a eles se haviam reparado que as ilustrações contribuem para reforçar essa característica do Cerrado.  Avalie se considera interessante compartilhar com os alunos as explicações sobre a tortuosidade da vegetação, expostas acima.

 

Cerrado e xilogravura

Na concepção desta obra, a ilustradora, Luana Geiger, preocupou-se em imprimir nos desenhos os aspectos relacionados ao Cerrado. O traço grosso dos desenhos e a predominância da cor preta remetem às ilustrações de xilogravura, conhecidas por ilustrar versos de cordel, típicos do nordeste brasileiro. A literatura de cordel é muito popular na região da Caatinga, um outro bioma brasileiro que apresenta algumas características semelhantes às do Cerrado, como calor intenso  e vegetação com aspecto árido na época seca. E, embora os versos desta obra não obedeçam à métrica dos versos de literatura de cordel, o texto versado acabou estimulando a escolha por um estilo de ilustração que remetesse à xilogravura.

Tendo em mente os aspectos mencionados acima, você pode explorar com seus alunos a observação e a análise das ilustrações do livro. É possível começar pedindo para eles observarem as ilustrações da personagem e do ambiente. Pergunte: Qual a cor das ilustrações? Como são as ilustrações – muito ou pouco detalhadas, com traço fino ou traço grosso, etc-?. Essas ilustrações são desenhos de observação (ou seja, procuram retratar fielmente a realidade, como os desenhos dos naturalistas) ou não? Indague se esses desenhos são parecidos com outros desenhos que eles já tenham visto anteriormente. Talvez algum deles mencione as xilogravuras. Explique o que são as xilogravuras e como são produzidas. Diga a eles que não foi à toa que a ilustradora Luana escolheu produzir ilustrações como essas para este livro e instigue-os a descobrir o porquê da escolha dela.

Você pode enriquecer sua aula se providenciar previamente exemplos de xilogravuras e também de folhetos de cordel para mostrar à turma. E será ainda mais bacana se os alunos puderem produzir desenhos próprios com características de ilustrações de xilogravura. Embora a técnica original envolva esculpir um bloco de madeira para fazer a impressão do desenho, vocês podem criar adaptações – por exemplo, produzindo carimbos com batatas – ou mesmo fazer as ilustrações com pincéis médios ou grossos.

Água no Cerrado  (Páginas 18 e 19)

Apesar de certas paisagens de Cerrado terem aspecto árido, há muita água nesse bioma. A água que enxergamos pode estar na nascente dos vários rios que formam as principais bacias hidrográficas brasileiras (por exemplo, a nascente do rio São Francisco e a do rio Paraguai), nos rios das veredas (p. 12), em cachoeiras, etc. Mas a maior reserva de água está escondida, embaixo da terra. O Cerrado está localizado sobre o Aquífero Guarani, uma enorme reserva subterrânea de água doce que se estende também a países vizinhos (Paraguai, Uruguai e Argentina). Muitas árvores e arbustos do Cerrado apresentam raízes longas (algumas atingem 20 metros) que lhes permitem captar água mesmo em tempo de seca. Já as plantas rasteiras podem apresentar raízes modificadas, formando um sistema subterrâneo de armazenamento de uma substância nutritiva que contém água e sustenta a planta durante o período de seca.

Esse tema pode ser trabalhado envolvendo as disciplinas de Português e Artes. Peça aos alunos para observarem a ilustração das páginas 18 e 19 e descreverem o que ela representa – um corte do solo do Cerrado, mostrando suas plantas, sendo que uma delas tem raízes que atingem o “rio subterrâneo” (o Aquífero Guarani). Façam a leitura dos versos destas páginas e peça aos alunos que os interpretem. Qual é a “riqueza” mencionada no texto e onde ela está? Espera-se que eles compreendam que a água subterrânea é considerada muito valiosa pois ela supre as necessidades das plantas, que conseguem sobreviver mesmo em períodos mais secos. E o que significa dizer que “as raízes vão bem longe, percorrendo seu caminho com um passo até mansinho e de alcance poderoso”? Significa que o caminho percorrido pelas raízes corresponde ao crescimento delas no solo, e como as raízes são longas, esse caminho é percorrido a passos mansos pois a “caminhada” é demorada. O alcance dos “passos” das raízes é poderoso porque elas atingem grandes profundidades no subsolo, chegando a 20 metros. Trabalhe ainda a última estrofe da página 19, pedindo a eles que interpretem o texto. Nesses versos, brinca-se com a ideia de as plantas precisarem “matar a sede” e “se refrescar”, “curtindo o instante” em que finalmente tomam contato com a água. A atribuição de características humanas a outros seres vivos ou componentes do ambiente (como o fogo) está presente em outros momentos do livro e é usada como uma estratégia para tornar a leitura mais engraçada e significativa aos alunos, que podem exercitar a habilidade de notar quando essa combinação é feita, diferenciando o que é fantasia do que é real.

Conforme trabalha a interpretação de texto com os alunos, compartilhe com eles as informações apresentadas no primeiro parágrafo da descrição dessa atividade. Para finalizar, proponha a elaboração de um desenho sobre o tema, inspirado no desenho das páginas 18 e 19. A partir dos conteúdos estudados, os alunos criam os próprios desenhos das plantas do Cerrado com suas raízes enterradas em um subsolo rico em água.

 

As ameaças ao Cerrado (Páginas 32, 33, 34)

Apesar de apresentar grande riqueza de espécies e de paisagens e recursos hídricos armazenados no subsolo, as áreas de Cerrado vêm sendo desmatadas para dar lugar a grandes monoculturas (principalmente de grãos, como a soja, e, também, de outras grandes plantações, como de eucalipto) e para a formação de pastagens.  A extração de lenha para a produção de carvão vegetal, utilizado na indústria siderúrgica, e as queimadas realizadas sem controle, são outras ameaças ao bioma. Apesar de o fogo poder desempenhar importante papel na ciclagem dos nutrientes e na germinação de sementes, quando tem início em períodos muito secos e não é monitorado, encontra muito combustível (vegetação seca) para queimar. Nessas condições, causa a morte de flora e fauna e transforma a área queimada a ponto de inviabilizar a recuperação dos ecossistemas anteriormente estabelecidos.

Peça para os alunos relembrarem o que conheceram sobre o Cerrado e para listarem alguns motivos para a preservação desse ambiente (bioma). Em seguida, peça a eles que observem e descrevam a imagem das páginas 32 e 33. Essas páginas mostram uma ilustração sobreposta a uma foto, e na ilustração aparecem fazendas, plantações, áreas desmatadas, gado, rodovias, etc. Talvez a identificação desses elementos não seja tão óbvia, e você pode convidar os alunos a ler os versos da página 33 para facilitar a interpretação das imagens. Pergunte a eles se sabem o que é soja. Explique que a soja é consumida pelos seres humanos e por outros animais de diversas formas: é possível comer os grãos ou os derivados da soja (proteína, leite, queijo e óleo, por exemplo). Informe-os que grandes plantações desse grão estão em áreas de Cerrado, ocupando terrenos que tiveram que ser desmatados e seu solo revolvido para que as sementes pudessem ser plantadas. Nas grandes plantações são utilizados agrotóxicos e pesticidas, que contaminam o solo e são carregados pela água da chuva aos rios e às reservas de água subterrâneas. A ocupação do Cerrado por áreas de pastagens também é prejudicial, pois os fazendeiros derrubam a vegetação para formar os pastos e o pisoteio do gado prejudica o solo, que acaba ficando compactado (os grãos que formam o solo ficam muito próximos, sem espaço para conter ar ou água entre eles). Apresente o problema das queimadas sem controle, que podem ser iniciadas acidentalmente por um fósforo mal apagado, por exemplo, e mencione a extração da madeira para produção de carvão.

Converse com a turma sobre como é desafiador conciliar as atividades econômicas humanas com a conservação da natureza. Você pode anotar as opiniões deles para a elaboração de um painel coletivo sobre esse tema.

Em seguida, leiam os versos das páginas 34 e 35. As fotos do lado direito da estrada mostram (de baixo para cima) um lobo-guará, um gambá (saruê) e um coati; do lado esquerdo, há uma seriema. O biólogo e fotógrafo Rafael Feltran-Barbieri registrou essas imagens dos animais atropelados em estradas brasileiras localizadas em áreas de Cerrado. Acidentes como esses são comuns e muitos deles poderiam ser evitados se os motoristas respeitassem as placas indicando a presença de animais silvestres e diminuíssem a velocidade. Aproveite a oportunidade para explorar outras recomendações ao frequentar áreas naturais: carregar consigo o lixo produzido em uma viagem ou passeio, respeitar os animais silvestres e os habitantes do local (por exemplo, não ouvir música alta e não alimentar os animais), admirar a paisagem e curtir o passeio sem fazer pichações em rochas ou na vegetação, entre outras.

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