MATA ATLÂNTICA

capa_maAs serras (Páginas 16 e 17)

A Mata Atlântica ocorre no litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Ela abrange a planície costeira e a cadeia de montanhas da costa brasileira. Nas regiões de Mata Atlântica em que há serras, a inclinação do terreno favorece a formação de cachoeiras.

Leia com os alunos o texto das páginas 16 e 17 e peça que identifiquem as palavras que sugerem como é o relevo na Mata Atlântica (como “subida”, “cachoeira”, “relevo inclinado”, “topo”, “montanha” e “mirante). Pergunte se eles já visitaram áreas de Mata Atlântica com montanhas e se foi difícil subir e descer as trilhas percorridas. Diga a eles que é preciso haver um desnível no terreno para ocorrer a queda de água do rio e que o relevo das serras da Mata Atlântica favorece a formação de cachoeiras.

 

A água na Mata Atlântica

A umidade da Mata Atlântica pode ser percebida no solo lamacento, na água que desce das cachoeiras, na chuva frequente, na neblina que se forma no ar, na água acumulada no corpo das bromélias e outras plantas. Peça para os alunos procurarem no livro as situações que retratam essa característica: a abundância de água.

Um dos aspectos que pode ser trabalhado é o ciclo da água. Os alunos podem, por exemplo, selecionar algumas cenas que mostrem a água ou em que seja possível supor que exista água e tentar estabelecer uma relação entre essas cenas. Por exemplo: A água do rio (p. 7) umedece o solo das margens desses cursos d´água (p. 6) e pode evaporar e se condensar. Se a água cai na forma de chuva (p. 8), molha a vegetação e pode ficar acumulada dentro das bromélias (p. 23). O vapor de água do ar também pode se condensar e formar a neblina, composta por minúsculas gotas de água suspensas no ar (p. 18 e 19).

 

Aquarela

Foi pensando na abundância de água da Mata Atlântica que a ilustradora Luana escolheu a técnica da aquarela para retratar as paisagens desse bioma. A tinta aquarela é composta por um pigmento e uma goma que se dilui em água. A pintura envolve a diluição da tinta em água: quanto mais água, menos intensa será a cor, e quanto menos água, mais intensa a cor. A principal característica da aquarela é a transparência dos seus pigmentos, e com essa técnica é possível obter efeitos de luminosidade únicos, além de leveza.

Explore esses aspectos com sua turma. Antes de conversar sobre as características da aquarela, peça a eles que observem as ilustrações e digam que tipo de tinta a ilustradora parece ter utilizado, como ela produziu essas ilustrações, se esses desenhos são parecidos com os desenhos do livro Nina no Cerrado, etc. Ouça as opiniões deles e fique atento para colocações que possam servir de gancho para a introdução das características da aquarela. Após a explicação, peça a eles que procurem identificar nas ilustrações do livro as características dessa técnica de pintura. Depois, proponha a criação de desenhos feitos em aquarela para que os alunos possam experimentar o uso dessa técnica e criar diferentes efeitos.

 

A matéria orgânica e os decompositores (Página 22)

Depositados sobre o solo da Mata Atlântica estão galhos secos, folhas que se desprenderam das plantas, fezes e restos de animais (como peles, ossos e penas), entre outros materiais orgânicos. As bactérias e os fungos alimentam-se de matéria orgânica e participam da decomposição desses restos. Na decomposição, os átomos constituintes da matéria orgânica retornam ao ambiente. Os decompositores, portanto, transformam a matéria orgânica de cadáveres e resíduos em substâncias mais simples, que são devolvidas ao ambiente e podem ser reutilizadas por outros seres. Tomemos como exemplo o carbono: no processo de decomposição, uma parcela do carbono contido nos compostos orgânicos é liberada na atmosfera, como gás carbônico (CO2), e o restante passa a fazer parte da matéria orgânica do solo.

Na página 22, o fungo que está sobre o tronco é do tipo orelha–de–pau, muito comum na Mata Atlântica. Cogumelos são outro exemplo de fungo.

Aos alunos mais novos você pode perguntar o que é a estrutura alaranjada sobre o tronco. Talvez eles digam que é madeira ou, talvez, que é uma planta. Você pode explicar que os fungos não se mexem e, devido ao aspecto de seu corpo, às vezes são confundidos com plantas, embora não sejam. Fungos, como o da foto, são seres vivos e, portanto, precisam de alimento, que obtêm pela decomposição da matéria orgânica. Nesse processo, é como se eles liberassem líquidos que quebram a matéria em pedacinhos menores que serão absorvidos pelo fungo, lhe servindo de alimento.

Os alunos mais velhos talvez já tenham conhecimento dos fungos como um grupo de organismos à parte dos animais e das plantas. Desafie–os a relacionar os versos da página 22 à ação decompositora dos fungos. Pergunte quais outros seres vivos também decompõem a matéria orgânica (as bactérias).

 

As plantas epífitas (Página 23)

Muita gente confunde as epífitas com plantas parasitas. As epífitas não prejudicam as árvores que lhes servem de suporte. Fixas em locais mais altos da floresta, elas beneficiam–se com uma radiação solar mais forte do que receberiam se estivessem presas ao solo, recobertas pela folhagem. Bromélias e orquídeas são exemplos de epífitas encontradas sobre troncos e rochas.

Os versos da página 23 não apresentam o conceito de epífita, mas você pode desafiar os alunos a deduzi–lo a partir das informações apresentadas no texto. Peça que eles interpretem o “comportamento” das epífitas. Pergunte a eles por que a autora as considerou “plantas com bravura” e por que elas ganham “fortes raios solares como recompensa”. Em seguida, pergunte se eles conhecem as bromélias e se já viram essas plantas em jardins e nas matas. Onde elas estavam? No chão? Em vasos? Sobre outra planta? Caso os alunos não conheçam as bromélias, procure trazer uma foto ou um desenho para lhes mostrar. Oriente a turma a observar as árvores ilustradas na página 23 e a encontrar as bromélias, plantas epífitas. Elas estão representadas sobre os galhos das árvores, em um tom de verde mais escuro.

Se você quiser ampliar esse tema, pode realizar com seus alunos uma pesquisa sobre os diferentes tipos de bromélias. Essas plantas têm colorações variadas, diferentes formatos de folha e, uma parcela delas, as chamadas bromélias–tanque, armazena água da chuva em suas folhas sobrepostas. Bromélias–tanque abrigam uma série de organismos, como microrganismos, larvas de insetos e pererecas, que se relacionam nesse ecossistema de pequenas dimensões, mas ricas interações. Na internet é possível encontrar fotos de diferentes bromélias, e você pode desafiar os alunos a adivinhar quais delas podem ser consideradas bromélias–tanque e quais não – eles terão que observar quais das plantas parecem ter um reservatório para a água da chuva.

Se houver bromélias na escola ou na casa dos alunos, você também pode pedir a eles que façam desenhos de observação. Registros como esses têm como finalidade serem fiéis ao objeto que está sendo representado. Essa proposta pode representar uma mudança de paradigma aos alunos, muito mais acostumados a desenhar objetos ou situações imaginadas e também normalmente orientados a fazer “desenhos bonitos”.

 

As florestas de araucária (Páginas 24 e 25)

As florestas de araucária estão inseridas no bioma Mata Atlântica. O “nome técnico” dessas florestas é Floresta Ombrófila Mista. Nelas, predominam as araucárias, também conhecidas como pinheiro–do–paraná. A excelente qualidade da madeira da araucária infelizmente provocou a degradação dessas florestas, desmatadas para obtenção de matéria-prima para fabricação de móveis e de papel. Atualmente, o pouco que resta delas está no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

O pinhão, semente da araucária, é coletado pelas comunidades locais e constitui a base da economia de muitas famílias. Além disso, também serve de alimento à fauna silvestre, sendo consumido por animais como a cotia (ou cutia), considerada um agente dispersor das sementes e, portanto, com importante função ecológica na manutenção das florestas de araucárias. Para estocar parte das sementes que captura, a cotia as enterra em locais afastados da planta–mãe (a planta que originou as sementes), e os pinhões que não são recuperados acabam germinando e dando origem a novas árvores.

Antes de iniciar a leitura dos versos das páginas 24 e 25, pergunte aos alunos se eles conhecem o pinhão. Se a sua escola se localiza na região Sul ou mesmo Sudeste, é bem provável que os alunos não só conheçam o pinhão como já o tenham comido. Peça a eles que interpretem os versos sobre a araucária e a cotia. Diga a eles que a cotia é considerada um animal dispersor das sementes da araucária e peça a eles que expliquem o que essa afirmação significa. Utilizem o dicionário para procurar pelo verbete “dispersar” e explorem o significado desta palavra. Alguns sinônimos de “dispersar” são espalhar, separar. Peça à turma que procure nos versos da página 25 as palavras ou as ideias que reforçam o papel de agente dispersor da cotia. É possível que eles mencionem as palavras “distantes”, “espalhados”, “independentes” e o trecho “e dispensam a planta-mãe”. Pergunte a eles o que a autora quis dizer com “Nada mal nascer semente.”. Ouça as opiniões deles. Se tiverem dificuldade em interpretar o verso, auxilie perguntando como é a relação dos bebês recém–nascidos com os pais. Compare a situação dos bebês e das sementes em relação aos “pais” e conduza a discussão de modo a favorecer a compreensão da independência e da autonomia das sementes em relação à planta que as originou.

 

A queda das folhas (Páginas 26 e 27)

A Mata Atlântica é constituída por diferentes formações vegetais. Uma delas é a Floresta Estacional Semidecidual ou Decidual, formada por árvores com altura entre 25 e 30 metros. A palavra “decíduo” indica a perda de folhas, evento que ocorre durante a época mais seca. A queda das folhas pode ser parcial (semidecidual)  ou total (decidual).

A perda das folhas diminui a perda de água pela transpiração, já que na folha localizam-se estruturas que são como poros, por onde a água evapora.

A leitura das páginas 26 e 27 permite explorar muitos aspectos. O conteúdo científico exposto nos versos é reforçado pelas imagens. Peça para os alunos olharem as ilustrações e pergunte quantas árvores eles acham que foram representadas. Eles podem apresentar diferentes hipóteses. Peça a eles que observem as cores destas duas páginas. Talvez eles notem que cada cor corresponde a uma das árvores. Os desenhos mostram a mesma árvore em períodos diferentes. Pergunte aos alunos quais evidências da ilustração indicam a passagem do tempo e as modificações pelas quais a árvore passa. Não só as folhas da árvore caem e ficam acumuladas no chão, ao redor da planta, como a representação da passagem do tempo está indicada por diferentes cores. Inicialmente, a folhagem da árvore está completa; a cor ao fundo dessa árvore remete a um período em que a disponibilidade de água permite que a planta mantenha-se verdejante. O tempo passa e a disponibilidade de água diminui, desencadeando a queda das folhas; a cor amarela sinaliza um tempo mais seco e frio. Conforme as temperaturas ficam ainda mais baixas e a dificuldade em obter água aumenta, a queda das folhas se intensifica; a cor marrom, mais escura e menos viva que o amarelo, simboliza o inverno. 

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